Pois bem, eu vivi esta terrível dor e decidi dividir com vocês pois muitas mulheres não sabem da existência desta situação na qual qualquer uma pode passar.
Em dezembro de 2013, eu estava noiva e decidi tentar engravidar. Foi uma decisão rápida e o resultado mais rápido ainda, pois engravidei na primeira tentativa. Porém demorei um pouco para realizar meu primeiro ultrassom, e foi com 3 meses de gestação que descobri que não havia nenhum bebezinho no saco gestacional, ou seja, eu estava passando pela gravidez anembrionária.
Quando vi aquele "saquinho" vazio, senti meu coração esvaziar tão rápido que mal pude controlar. A médica me explicou que é muito comum acontecer isto nos primeiros meses de gestação e que muita das vezes o bebê não continuou se formando pois havia algum problema, algo de errado na formação na qual o próprio corpo rejeita o feto.
Bom, como eu descobri no ultrassom que não havia feto, a médica pediu que eu fosse até o hospital para saber mais informações do que tinha ocorrido e também para receber instruções do que fazer. No hospital, a ginecologista me informou que isto ocorre com a maioria das mulheres na primeira gestação, e que só é motivo de preocupação para uma nova tentativa após a terceira vez que isto ocorre, ou seja, eu poderia engravidar novamente sem medo. Ela também recomendou que eu aguarda-se 20 dias para ver se abortaria naturalmente o saco gestacional.
Então começou o sofrimento... eu sabia que meu bebê não estava ali dentro de mim, e sabia que em algum momento a "casinha" preparada para ele morar por nove meses dentro de mim também sairia dali. Foi muito difícil aceitar, até porque era uma gravidez muito desejada.
Não me lembro muito bem, mas acredito que exatos 20 dias depois da descoberta, foi o dia em que tive muita cólica. Era um domingo, época de páscoa, minha madrinha estava na casa da minha mãe (onde eu também morava) e todos estavam preocupados pois eu estava com muita dor. No fim do dia eu fui tomar banho e lá tive uma surpresa: Estava sangrando!
Senti um desespero como se não esperasse que aquilo fosse acontecer. Comecei a gritar chamando minha mãe e minha irmã veio saber o que estava acontecendo. Ela me orientou que entrasse no banho para cortar o sangramento, mas nada adiantava.
Resumindo, eu estava abortando. E como todo mundo, eu fui para o hospital. Passei a noite toda sangrando e tomando remédio na veia, aguardando o dia seguinte para fazer o ultrassom, pois a médica precisava ver se haviam restos do saco gestacional no útero, e havia! Então tive que fazer a curetagem, que nada mais é que uma raspagem feita no útero para retirar os restos da placenta e do saco gestacional.
A curetagem é como um parto, você toma a mesma injeção nas costas que é tomada no momento do nascimento do bebê, e também fica de quarentena. Foram 40 dias sem relações sexuais e 6 meses sem poder engravidar. A médica disse que este tempo era necessário para que o útero voltasse ao normal para depois receber outro feto sem correr riscos de abortar novamente.
Por sorte, a quarentena acabava no dia do meu casamento (UFA!) rs. E mesmo com todo o sofrimento da perda, eu pude aproveitar minha lua de mel.
Mas a história triste está tendo um "final feliz", afinal, estou grávida de uma princesa super saudável e com uma gestação super gostosa e tranquila.
Então se você passou ou passar por isto, lembre-se: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." - Eclesiastes 3:1. Então, fique tranquila e continue tentando.
Espero que tenham gostado de saber a minha história, e para quem já passou por isto nunca perca a esperança;
Um big beijo e até a próxima ;*
Janiele Marangoni